4.12.2010
Invadir Humboldt | FERNANDO BOPPRÉ | Interartive
Invadir HumboldtPor Fernando Boppré*
Humboldt é uma
reconhecida
publicação cultural
que promove o
intercâmbio entre
a Alemanha e a
América Latina,
reconhecida
publicação cultural
que promove o
intercâmbio entre
a Alemanha e a
América Latina,
bem como a Espanhae Portugual. Aborda
debates atuais sobre
temas da vida cultural
e intelectual dos dois
lados do Atlântico, por
meio de reflexões de
autores do mundo
ibérico e de língua
alemã, bem como de
outras vozes
internacionais.
Os artistas brasileiros
Carlos Asp e
Gerson Reichert...
Leia mais em:
http://interartive.org/index.php/2010/03/invadir-humboldt/
Artigo publicado em português/inglês no site espanhol Interartive em março de 2010.
*Historiador e coordenador do projeto Agenda Cultural do
Museu Victor Meirelles/IBRAM/Minc, de Florianópolis, Santa Catarina.
3.02.2010
Carlos Asp x Gerson Reichert
Carlos Asp + Gerson Reichert, Caja Bie Now Ressonancy (Caixa de Ressonância ) 2009
Dermatográfico sobre embalagem, marcador sobre impresso, madeira
20 x 32 x 3 cm
Quando conheci G.R em 2004, trabalhando em suas pinturas e desenhos
via sua perseverança e concentração, como um bom exemplo a seguir.
Consegui produzir naquele período que me abrigaram em seu atelier coletivo
uma série de desenhos que formaram a base da mostra itinerante
DESENHOS DO SEM FIM que, editados pelo SESC-SC em pranchas plotadas
e rico material gráfico, complementando a mostra que desde 2005
vem itinerando pelas cidades catarinenses em que unidades técnicas do
SESC-SC ocupam-se da difusão de minha modesta obra gráfica,
como um tributo à perseverança de um fazer plástico já tão desacreditado,
nestes velozes tempos de ações e registros via WWW.
Então a importância da obra e do contínuo fazer em GERSON REICHERT,
reverberam em mim, como um paciente e significativo professor de ACREDITAR
NUM CONTÍNUO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE OBRA GRÁFICA, experiência
que eu jamais experimentara antes. A maturidade e segurança do
gesto,conhecidas qualidades da obra gráfico/pictórica de G.REICHERT são pra mim,
valores que me dão a liberdade de chamá-las “pinturas japonesas”, por minha
convivência intensa nos anos de 70 a 73, trabalhando ao lado de TOMOSHIGUE
KUSUNO, e seus amigos nipo-brasileiros em S.PAULO, autores de uma escola
pictórica que até hoje tem importante papel na construção de nossa visualidade,
vigorosa e solta abstração de gestos largos generosos e seguros, como bem se
conhecem agora também neste filho de alemães com arrojo ariano e elegância
oriental.
Consegui produzir naquele período que me abrigaram em seu atelier coletivo
uma série de desenhos que formaram a base da mostra itinerante
DESENHOS DO SEM FIM que, editados pelo SESC-SC em pranchas plotadas
e rico material gráfico, complementando a mostra que desde 2005
vem itinerando pelas cidades catarinenses em que unidades técnicas do
SESC-SC ocupam-se da difusão de minha modesta obra gráfica,
como um tributo à perseverança de um fazer plástico já tão desacreditado,
nestes velozes tempos de ações e registros via WWW.
Então a importância da obra e do contínuo fazer em GERSON REICHERT,
reverberam em mim, como um paciente e significativo professor de ACREDITAR
NUM CONTÍNUO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE OBRA GRÁFICA, experiência
que eu jamais experimentara antes. A maturidade e segurança do
gesto,conhecidas qualidades da obra gráfico/pictórica de G.REICHERT são pra mim,
valores que me dão a liberdade de chamá-las “pinturas japonesas”, por minha
convivência intensa nos anos de 70 a 73, trabalhando ao lado de TOMOSHIGUE
KUSUNO, e seus amigos nipo-brasileiros em S.PAULO, autores de uma escola
pictórica que até hoje tem importante papel na construção de nossa visualidade,
vigorosa e solta abstração de gestos largos generosos e seguros, como bem se
conhecem agora também neste filho de alemães com arrojo ariano e elegância
oriental.
Entre PORTO ALEGRE e FLORIANÓPOLIS, março de 2010, Carlos Asp.
![]() |
| Desenho de Carlos Asp, 2010 |
11.03.2009
Humboldt Revista
Gerson Reichert afirma com propriedade que as intervenções em pintura que ele realiza lançam um novo olhar sobre o agora objeto-revista Humboltd. A pintura revisa a revista. Ela revê a partir de sua linguagem a linguagem da revista, esgueirando-se pelo texto e pela imagem, se sobrepondo, como uma leitura que se constrói transformando o que vê pela frente.
O ato é de apropriação, de aproximação, mas também de barbárie. Um ataque à estrutura da revista, a sua integridade como objeto cultural – ainda que permaneça intocada sua qualidade de veículo. A pintura aqui é o selvagem descrente cuja única opção é profanar: ninguém rouba sua alma. Ela não sabe ler em outra língua que não a sua e sua linguagem é a ação.
Na história pessoal do artista esse ataque tem, no entanto, a força de uma deglutição, uma proposição de mão única que procura nessa confrontação revisitar seu passado: decifra-te ou devoro-te.
Mas a interferência do artista sobre a revista resulta numa forma de mediação (diálogo, como ele prefere). Para quem têm o privilégio de folhá-las, elas se mostram como um caderno de notas onde se potencializam qualidades: idéias apenas esboçadas são exarcebadas, encobertas, outras são simplesmente inventadas. O que permeia página a página além densidade da tinta, sua oleosidade, são as astúcias do artista.
Vale lembrar que a pintura precisa inventar um lugar para si, como um abrigo. O pintor usualmente o encontra num vazio qualquer que ele torna próprio e o organiza, ao modo da pintura. As intervenções de Gerson partem de um campo já semeado, convencional ao seu modo igualmente, mas que se abre e se desdobra. Por isso a abertura para o exercício, para a experimentação de idéias que poderão ou não ser aproveitadas em suas telas. A pintura em cada página aparece como uma adição de sentido que ao se cruzar desestabiliza ambos os lados: sua presença num espaço do texto, da ilustração e da legenda nos lembra que o sentido de ordem não existe sem a eminência do caos.
2007 Flávio Gonçalves
http://humboldtrevista.blogspot.com
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