11.03.2009
Humboldt Revista
Gerson Reichert afirma com propriedade que as intervenções em pintura que ele realiza lançam um novo olhar sobre o agora objeto-revista Humboltd. A pintura revisa a revista. Ela revê a partir de sua linguagem a linguagem da revista, esgueirando-se pelo texto e pela imagem, se sobrepondo, como uma leitura que se constrói transformando o que vê pela frente.
O ato é de apropriação, de aproximação, mas também de barbárie. Um ataque à estrutura da revista, a sua integridade como objeto cultural – ainda que permaneça intocada sua qualidade de veículo. A pintura aqui é o selvagem descrente cuja única opção é profanar: ninguém rouba sua alma. Ela não sabe ler em outra língua que não a sua e sua linguagem é a ação.
Na história pessoal do artista esse ataque tem, no entanto, a força de uma deglutição, uma proposição de mão única que procura nessa confrontação revisitar seu passado: decifra-te ou devoro-te.
Mas a interferência do artista sobre a revista resulta numa forma de mediação (diálogo, como ele prefere). Para quem têm o privilégio de folhá-las, elas se mostram como um caderno de notas onde se potencializam qualidades: idéias apenas esboçadas são exarcebadas, encobertas, outras são simplesmente inventadas. O que permeia página a página além densidade da tinta, sua oleosidade, são as astúcias do artista.
Vale lembrar que a pintura precisa inventar um lugar para si, como um abrigo. O pintor usualmente o encontra num vazio qualquer que ele torna próprio e o organiza, ao modo da pintura. As intervenções de Gerson partem de um campo já semeado, convencional ao seu modo igualmente, mas que se abre e se desdobra. Por isso a abertura para o exercício, para a experimentação de idéias que poderão ou não ser aproveitadas em suas telas. A pintura em cada página aparece como uma adição de sentido que ao se cruzar desestabiliza ambos os lados: sua presença num espaço do texto, da ilustração e da legenda nos lembra que o sentido de ordem não existe sem a eminência do caos.
2007 Flávio Gonçalves
http://humboldtrevista.blogspot.com
.
7.18.2009
Revista Humboldt
FISIONOMIAS DE UMA RELAÇÃO COMPLEXA
Ulrike Prinz e Isabel Rith-Magni
i"El artista brasileño Gerson Reichert, a quien
se deben las intervenciones pictóricas sobre
antiguos ejemplares de Humboldt, ha tematizado
lo que tiene de proceso un dialogo amistoso como
el que persigue desde hace cincuenta años
la revista. Su serie gráfica pone de manifesto
que no hay automatismos, sino que se hace
necesario el esfuerzo. Se trata de un careo
siempre nuevo con el interlocutor,
ante el que se reacciona llevando más allá
un motivo, transformándolo o eventualmente
confrontándolo con un contraproyeto.
Se trata de crear algo nuevo a partir
de la interacción."
antiguos ejemplares de Humboldt, ha tematizado
lo que tiene de proceso un dialogo amistoso como
el que persigue desde hace cincuenta años
la revista. Su serie gráfica pone de manifesto
que no hay automatismos, sino que se hace
necesario el esfuerzo. Se trata de un careo
siempre nuevo con el interlocutor,
ante el que se reacciona llevando más allá
un motivo, transformándolo o eventualmente
confrontándolo con un contraproyeto.
Se trata de crear algo nuevo a partir
de la interacción."
Redação Humboldt

Humboldt nº 99
5.17.2009
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